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sábado, 12 de junho de 2010

Serra sobe tom e compara Lula a Luís 14


Na Bahia, tucano disse que não há espaço para quem pretende personificar Estado: "Não há mais lugar para luíses assim".
Confirmado hoje como o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, o ex-governador de São Paulo José Serra deu uma nova linha ao seu discurso e subiu o tom em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma fala entusiasmada durante a convenção nacional do PSDB, em Salvador (BA), Serra lembrou o escândalo do mensalão, atacou a gestão de recursos públicos, a política externa do governo e o corporativismo na administração federal.

O tucano continuou evitando citar diretamente o nome de Lula, como fez desde o início do período de pré-campanha. Mas, dessa vez, chegou bem mais perto do ataque direto ao presidente, ao compará-lo ao absolutista francês Luís 14, a quem é atribuída a frase "O Estado sou eu". "O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou pra trás há mais de 300 anos. Luís 14 achava que o estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim", afirmou.

O tema do Estado forte causou polêmica em fevereiro deste ano, quando o PT preparava diretrizes do programa de governo da ex-ministra Dilma Rousseff, rival de Serra na corrida presidencial. Após o vazamento do texto, que seria apresentado no 4º Congresso Nacional, tanto Dilma quanto Lula decidiram endossar a tese do fortalecimento do Estado.
Os ataques de Serra, entretanto, não se limitaram a esse tema. O tucano agradeceu a indicação para disputar o Planalto, defendeu a liberdade de imprensa e voltou a criticar Lula ao falar sobre o relacionamento com comandantes de regimes ditatoriais. "Não fica bem elogiar continuamente ditadores de todo o planeta só porque esses ditadores são aliados do atual governo", disse o ex-governador.

Serra também condenou a presença de sindicalistas no atual governo. “Acredito na liberdade de organização social, que trabalhadores e setores da sociedade se agrupem para defender interesses legítimos, não para que suas entidades sirvam como correia de transmissão de esquemas de poder”, disse. “Organizações pelegas e sustentadas com dinheiro público devem ser vistas como são de fato: anomalias”, completou.

Serra voltou a declarar que não tem "patotas corporativas". Ao falar sobre a importância do Congresso, provocou mais uma vez: "O que o Congresso não pode ser é uma arena de mensalões, compra de voto e silêncios", disse, numa referência à maior crise política vivida pelo governo Lula, em 2005.

O presidenciável tucano aproveitou para relembrar sua origem humilde, numa declaração que novamente soou como uma alfinetada em Lula. "Eu venho de família pobre. Venho de baixo na nossa sociedade. Nunca falei muito disso. Nunca procurei na minha origem inflar os méritos de eventuais progressos pessoais", afirmou. Serra voltou a investir no discurso de que não tem "duas caras". Disse ainda que não tem "mal entendidos" em seu passado.

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